O presunto cru produzido a partir da raça suína “Porco do Cerrado”, desenvolvida no campus da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em Montes Claros, conquistou o primeiro lugar no 1º Concurso Nacional da Qualidade de Cárne- os, realizado durante o 1º Congresso Nacional de Serviços de Inspeção Municipal (CONASIM 2025), em Guarapari, Espírito Santo. Este reconhecimento é resultado de mais de uma década de pesquisas e desenvolvimento conduzidas principalmente pelo Núcleo de Estudos em Produção de Suínos (NEPSUI) da UFMG Montes Claros, coordenado pelo professor Bruno Silva.
O projeto do “Porco do Cerrado” teve início há 12 anos com o objetivo de criar uma raça suína adaptada às condições climáticas do cerrado e do semiárido, proporcionando carne de alta qualidade, com marmoreio e coloração ideais para produtos curados. O cruzamento entre o macho da raça Duroc, conhecida internacionalmente pela qualidade da carne, e a fêmea da raça brasileira Piau, reconhecida pela rusticidade, resultou em um animal cuja carne é perfeita para a elaboração de embutidos e curados finos. O professor Bruno Silva destaca que o diferencial do “Porco do Cerrado” vai além da genética, pois o manejo da alimentação, especialmente a inclusão de castanha de baru na fase final, contribui significativamente para as características sensoriais do presunto, que apresenta sabor, aroma e textura únicos.
O proprietário da Charcutaria Sagrada Família, empresa responsável pela produção do presunto vencedor, ressalta que a camada de gordura mais espessa e estável do “Porco do Cerrado” protege a carne durante as longas maturações, que podem durar até 24 meses. Isso garante não apenas a segurança do processo, mas também o desenvolvimento de complexidade sensorial, algo essencial para produtos curados de alta qualidade. A parceria entre a charcutaria e o NEP- SUI permitiu alinhar o conhecimento técnico com a prática artesanal, ajustando dieta, ponto e idade de abate para alcançar a excelência do produto final.
Para o professor Bruno Silva, além do valor comercial, a premiação destaca a importância da preservação das raças nativas, que representam uma fonte de renda alternativa para pequenos produtores e promovem a valorização dos produtos artesanais regionais. Ele ressalta a crescente demanda por produtos de origem tradicional e robusta, como o “porco da roça”, valorizando o que é genuíno e natural. O trabalho realizado pelo NEPSUI representa uma contribuição significativa para o fortalecimento da cadeia produtiva local, promovendo o desenvolvimento sustentável e a inovação em agropecuária regional, colocando Montes Claros em destaque no cenário nacional da charcutaria artesanal.
Este prêmio reforça, portanto, o sucesso da integração entre pesquisa acadêmica e produção artesanal, um modelo que pode inspirar outras iniciativas agroindustriais no Brasil, unindo tradição, ciência e sabor de alta qualidade para conquistar mercados exigentes e consolidar a região como referência em inovação alimentar e respeito ao meio ambiente.