[views count="1" print="0"]

Distribuição de royalties do setor apresenta falhas e oportunidades

O processo que trata sobre os critérios de distribuição de royalties e participações especiais está associado à produção de petróleo e gás natural

O Tribunal de Contas da União (TCU) analisou, na sessão plenária, o processo que trata sobre os critérios de distribuição de royalties e participações especiais associados à produção de petróleo e gás natural (TC 005.361/2023-0). Os ministros decidiram encaminhar as análises apresentadas no relatório a órgãos governamentais, ao Congresso Nacional e ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que possam reforçar um debate sobre possível alteração na atual legislação a respeito da distribuição dos recursos do setor petrolífero.

O relator do processo, ministro Jorge Oliveira, em seu voto, concordou que a atualização da legislação que regulamenta a distribuição de royalties e participações especiais aos estados e municípios é necessária, porém, não pode ser considerada a única alternativa viável para a resolução do problema.

“Naturalmente, o Ministério de Minas e Energia poderá, a seu exclusivo juízo de conveniência e oportunidade, adotar tal medida, inclusive para propor outros critérios de distribuição, que considere mais adequados, dadas as mudanças observadas na produção desde a edição da Lei 12.734/2012”, ressaltou o ministro.

O relator reforçou que, como a questão já se encontra no Supremo Tribunal Federal, no Núcleo de Solução Consensual de Conflitos (NUSOL/STF), não cabe ao TCU decidir a melhor forma de resolver a questão

“Ao considerar que a matéria se encontra sob exame do Supremo Tribunal Federal e, ainda, diante do escopo específico de um trabalho de auditoria operacional e sem olvidar os limites constitucionais e legais das competências do TCU, é forçoso apontar falhas, oportunidades de aprimoramento e soluções técnicas possíveis, mas não nos é dado escolher a alternativa jurídica ou regulatória para alcançar as finalidades públicas relacionadas”, explicou o ministro Jorge Oliveira.

AUDITORIA

 A legislação obsoleta causa, entre outras situações, os dois apontamentos indicados na auditoria, como fragilidades do processo de distribuição dos royalties e participações especiais aos estados e municípios: concentração de recursos em poucos entes da federação sem um critério técnico adequado e insegurança jurídica no processo de partilha dos recursos obtidos na exploração petrolífera.

A concentração desigual, segundo o relatório apresentado, é o resultado da utilização de critérios “obsoletos e desconexos dos impactos das atividades petrolíferas”, principalmente as linhas geográficas, criadas na década de 1980, que são até hoje utilizadas como base para definir quais municípios e estados recebem os royalties. Esses parâmetros resultam de um cenário de produção do setor completamente diferente do atual.

O próprio órgão responsável pela criação das linhas, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), afirma que a modernização dos dados geográficos precisa ser definida com a utilização de cartografia de maior detalhe, uso de técnicas de geoprocessamento e compatibilizada com imagens orbitais de alta resolução hoje disponíveis. Desta forma, resultaria em desenhos completamente diferentes daqueles criados décadas atrás, o que implicaria sensíveis alterações na distribuição dos royalties entre os estados e municípios.

A primeira lei que regulamentou a distribuição de recursos da atividade petrolífera no país é de 1953 (Lei 2.004/1953). De lá para cá, foram feitas cinco alterações na legislação. Até 1985, por exemplo, todos os recursos oriundos da exploração do petróleo em área marítima (offshores) eram destinados exclusivamente à União. A partir de 1985, com a Lei 7.453/1985, estados e municípios passaram a receber os recursos produzidos pela exploração em território marítimo. A última importante alteração legislativa efetiva relacionada à distribuição dos recursos em questão se deu em 1997 (Lei 9.478/1997), época da abertura do setor. De forma geral, desde a descoberta do pré- -sal, em 2006, as alterações legais promovidas não chegaram a gerar efeitos práticos. Desta maneira, os royalties e participações especiais têm sido distribuídos de acordo com critérios estabelecidos ainda na década de 1980 e em proporções que remontam à época da abertura do mercado, em 1997.

A complexidade e multiplicidade dos parâmetros vigentes, baseados em um cenário produtivo desatualizado, não dão legitimidade aos estados e municípios que hoje são beneficiados pela partilha dos recursos. E essa situação, segundo conclusão do trabalho de auditoria, tem causado crescente disputa jurídica que não se fundamenta em discussões claras entre órgãos técnicos e o poder judiciário, criando elevados custos de transação e perda de recursos financeiros dos beneficiários para escritórios de advocacia, em decorrência de grandes contratos de representação jurídica. Além disso, ainda impactam as atividades de órgãos e instituições da Administração Pública, como Agência Nacional de Petróleo e Gás Natural (ANP), IBGE e Advocacia-Geral da União (AGU).

A unidade técnica do TCU responsável pela fiscalização foi a Unidade de Auditoria Especializada em Petróleo, Gás Natural e Mineração (AudPetróleo), que integra a Secretaria de Controle Externo de Energia e Comunicações (SecexEnergia). O relator é o ministro Jorge Oliveira.

O processo que trata sobre os critérios de distribuição de royalties e participações especiais está associado à produção de petróleo e gás natural

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendadas a você

Exposição anual de orquídeas começa dia 24
Exposição anual de orquídeas começa dia 24
E-commerce coloca Minas entre os protagonistas nacionais
E-commerce coloca Minas entre os protagonistas nacionais
Abanorte Fruit Connections reúne cerca de 600 participantes
Abanorte Fruit Connections reúne cerca de 600 participantes
Deputados aprovam PEC que altera percentuais do orçamento em MG
Deputados aprovam PEC que altera percentuais do orçamento em MG
Prefeitura de Montes Claros realiza o FLAM !
Montes Claros realizou o FLAM!
Amams promove inclusão de mais famílias no Plano Safra
Amams promove inclusão demais famílias no Plano Safra
Parceria entre Cimams e Justiça Federal avança para descentralizar perícias
Parceria entre Cimams e Justiça Federal avança para descentralizar perícias
Governo de Minas antecipa pagamento da merenda
Governo de Minas antecipa pagamento da merenda
Maus-tratos poderão ter sistema nacional
Feira Brasil na mesa começa hoje
Cemig investe R$ 100 mi e acelera digitalização
Secretaria de Educação do Estado abre inscrições
Hemominas funcionará em horário alterado no feriado
Nova reserva protege Cerrado nativo e comunidades tradicionais
Prefeito afirma que há cenário de crise econômica no país
Nefrologia do HDG reconhecida em encontro Nefroplus
Alta do diesel chega a 24% em JF 
Maus-tratos poderão ter sistema nacional
Feira Brasil na mesa começa hoje
Cemig investe R$ 100 mi e acelera digitalização
Funasa e Ministério firmam acordo para levar água a quilombolas