Depois de mais de 10 anos parado em Pirapora, no Norte de Minas, o lendário Vapor Benjamin Guimarães, finalmente, está sendo reformado e voltará a navegar no Rio São Francisco a partir de janeitro de 2025. A reforma é bancada pela Eletrobrás. Segundo a Prefeitura de Pirapora, quando a embarcação deverá retornar às aguas do Velho Chico.
Segundo a prefeitura da cidade ribeirinha, a restauração do vapor Benjamin Guimarães está orçada em R$ 5, 8 milhões, questão sendo disponibilizados pela Eletrobras.
O Benjamin Guimarães é a única embarcação movida a vapor a lenha ainda em operação no mundo. O Vapor foi construído em 1913, nos Estados Unidos, onde foi usado no Rio Mississipi. Posteriormente, veio para o Brasil e navegou em rios da Bacia Amazônica. Na segunda metade da década de 1920, foi levado para o Rio São Francisco em Pirapora.
Por décadas, a embarcação movida a vapor a lenha transportou mercadorias e turistas pelo Velho Chico, que é navegável no trecho entre Pirapora e Juazeiro (BA), de 1.371 quilômetros.
O Benjamin Guimarães foi tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Artístico e Histórico de Minas Gerais (IEPHA-MG) em 1985. A embarcação está parada, com problemas na caldeira e na sua estrutura desde 2013. De lá prá cá, se arrasta o processo de restauração do patrimônio. Enquanto isso, a embarcação permanece fora d água, em um local perto do cais do porto de Pirapora.
Em janeiro deste ano, o IEPHA MG, por meio de nota, informou que “já realizou a entrega do projeto completo de restauração, flutuabilidade e navegabilidade do Vapor Benjamin Guimarães. E a sua execução se encontra a cargo da prefeitura municipal de Pirapora que é sua proprietária e responsável pela execução da restauração”.
Agora, os moradores de Pirapora e os turistas têm a esperança reforçada de que os serviços de recuperação do vapor sairam do papel. Segundo a prefeitura de Pirapóra, Inicialmente, a reforma seria custeada com recursos do Executivo Municipal, por meio de financiamento do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG).
Agora, no entanto, por meio de um acordo com o Ministério de Minas e Energia, a Eletrobras assumiu empreitada do projeto de restauração. “Era para as reformas terem começado antes, a equipe do restauro faz os serviços. Foi a própria Eletrobras e o Ministério de Minas e Energia que aconselharam o prefeito a fazer um edital e contratar uma consultoria para fiscalizar a verba”, afirma o diretor de Patrimônio Histórico e Cultural de Pirapora, Adélio Brasil.
Ele explica que as negociações envolveram o Governo de Minas, o Iepha – MG, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o Ministério Público Estadual, com a previsão que o vapor volte mesmo a navegar em janeiro.
VAPORES
Pernambuco foram favorecidas pelo intenso tráfego de vapores na região até a década de 1950. Nas barrancas do rio, cidades foram formadas e a mistura de culturas fortemente manifestadas. O rio era o portal das notícias do Brasil e do mundo, não havia outro caminho capaz de interligar tão bem essa parte do país.
Algo bem diferente, na visão da mídia local, se deu a partir de 1950. Os noticiários do rio deram lugar às notícias das rodovias ou Departamento de Estradas de Rodagem (DER). Quando se pensava o contexto da mídia, o São Francisco era visto como meio para produção de energia elétrica e projetos de irrigação. Nesse momento, os ribeirinhos teriam em mãos os escritos e poderiam acompanhar os passos que o país estava dando em direção ao progresso e desenvolvimento. Algo diferente ocorria em relação aos meios fluviais, em que os noticiários eram trazidos pelos comandantes dos barcos a vapores.