Depois de Aécio Neves, em 2014, e de seu avô, Tancredo Neves, em 1984, que deixaram o comando
de Minas para mirar o Palácio do Planalto, agora é a vez de Romeu Zema entrar na mesma trilha. O
governador do Novo decidiu antecipar sua saída e renuncia ao cargo já no próximo dia 22, com 13
dias de folga em relação ao prazo final de 4 de abril. No lugar, assume o vice, Mateus Simões, que
será empossado em solenidade na Assembleia Legislativa, sob o comando do presidente da Casa,
Tadeu Martins Leite. Nos bastidores, a movimentação é intensa. Prefeitos, vereadores e lideranças
de todas as regiões já se articulam para marcar presença. A expectativa é de casa cheia ainda
que o acesso ao plenário seja restrito a poucos convidados, o que só aumenta a curiosidade e o
burburinho político em torno do ato. Oficialmente, ninguém cravou o motivo da saída antecipada.
Mas, no jogo político, gesto raramente é gratuito. E, conhecendo o estilo de Zema, discreto e
calculista, a leitura que corre solta é a de que o governador resolveu agir como bom mineiro:
comer o mingau pelas beiradas. Sai antes do prazo, se posiciona com folga e aposta na velha
máxima quem chega primeiro, bebe água limpa.
