Programa estadual foca na regionalização da inovação mineira
O auditório da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) tornou-se, nessa quinta-feira (27), o epicentro das discussões sobre o futuro do empreendedorismo tecnológico em Minas Gerais. Com a presença de lideranças estaduais, a instituição sediou o encontro técnico para elucidar as normas do 8º Edital do Seed, programa que ressurge totalmente reformulado para levar o fomento à inovação para além das fronteiras da capital mineira.
Diferente das sete edições anteriores, o “Novo Seed” aposta na descentralização. O aporte de R$ 15 milhões agora é destinado diretamente aos ambientes promotores de inovação, como parques tecnológicos, incubadoras, hubs e ICTs. O objetivo é que esses atores locais gerenciem seus próprios programas de aceleração, adaptando-os às vocações regionais.
Durante o evento na Unimontes, o Secretário Executivo de Desenvolvimento Econômico, Bruno Araújo, destacou que a interiorização foi um pedido direto da gestão estadual. “Tínhamos casos de empreendedores do Norte de Minas, como de Montezuma, que precisavam viajar quase 800 quilômetros para participar em Belo Horizonte. Decidimos que era hora de o programa chegar até onde o talento está”, afirmou o secretário.
Um dos grandes diferenciais desta edição é a autonomia dada aos polos regionais. Questionado sobre o foco em áreas fortes no Norte de Minas, como agronegócio e biotecnologia, Araújo foi enfático: “Demos total liberdade. Os ambientes de inovação escolhidos aqui no Norte poderão definir se farão uma aceleração de tema livre ou se focarão em trilhas específicas como o agro ou o setor de fármacos, que cresce muito em Montes Claros”.
Para as startups selecionadas, o incentivo financeiro é de R$ 100 mil (recursos não reembolsáveis). Bruno Araújo esclareceu que, embora as regras da Fapemig sejam rigorosas — proibindo, por exemplo, obras civis ou contratações via CLT —, o recurso é extremamente versátil, sendo liberada a compra de equipamentos, softwares, insumos, pagamentos de bolsas de pesquisa ou consultorias. “O grande ganho é ter o ambiente promotor (como a incubadora) orientando o empreendedor para o mercado”, explicou o secretário.
PONTO PARA O MERCADO
Para os empreendedores que temem o chamado “vale da morte” — o período crítico do primeiro ano de empresa —, a mensagem deixada na Unimontes foi de otimismo. O foco do Novo Seed vai além do cheque de 100 mil reais. Trata-se também da construção de networking e novas oportunidades.
“A dica é: não olhem apenas o recurso, mas as portas que o programa abre. O Seed é uma ponte para fundos de investimento e conexões globais”, pontuou Bruno. Historicamente, startups que passam pela aceleração do Seed apresentam uma taxa de sobrevivência e crescimento interessantes, consolidando o programa como um selo de qualidade para investidores privados.
As instituições interessadas em transformar o Norte de Minas em um hub de aceleração têm até o dia 9 de abril para submeter seus projetos através do Sistema Everest da Fapemig. Com o auditório da Unimontes lotado de mentes inquietas e acadêmicos, ficou claro que o motor da inovação mineira agora também fala o sotaque do Norte.