O presidente da Sociedade Rural de Montes Claros, Flávio Gonçalves Oliveira, participa na Espanha de uma missão técnica internacional voltada ao estudo de modelos avançados de agricultura irrigada e gestão eficiente da água. Ele, que é professor Doutor em irrigação, integra a comitiva brasileira formada por 17 pesquisadores, especialistas e profissionais do agronegócio.
A missão tem curso até este domingo (8), na região da Andaluzia, no sul da Espanha, localizada no sudoeste da Europa, ocupando a maior parte da Península Ibérica, considerada uma das principais referências mundiais em produção agrícola em áreas de baixa disponibilidade hídrica.
A iniciativa é promovida pela Associação Brasileira de Irrigação e Drenagem (ABID), em parceria com o Instituto Innovagri e com apoio da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (FAEC). O objetivo é aproximar profissionais brasileiros de experiências consolidadas em tecnologia agrícola, manejo da água e sistemas produtivos de alta eficiência.
Flávio Oliveira participa da missão a convite da ABID, entidade da qual é diretor financeiro. Ele também preside o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Verde Grande (CBH Verde Grande) e a Fundetec, instituição que atua diretamente na promoção do desenvolvimento regional e na gestão de recursos hídricos.
A programação inclui visitas a universidades, centros de pesquisa, cooperativas agrícolas, distritos de irrigação e propriedades rurais, permitindo contato com tecnologias que têm permitido à Espanha alcançar altos índices de produtividade mesmo em regiões com escassez de água.
A experiência internacional representa uma oportunidade estratégica para ampliar o conhecimento sobre soluções aplicáveis ao campo brasileiro.
“Estamos participando de uma missão técnica aqui na Espanha para conhecer experiências bem-sucedidas na agricultura irrigada e na gestão dos recursos hídricos. Ao longo da programação visitaremos projetos produtivos, universidades e instituições de pesquisa que desenvolveram soluções importantes para regiões com escassez de água”, explica.
De acordo com ele, o conhecimento adquirido durante a missão deverá contribuir com produtores e instituições brasileiras.
“A ideia é que, quando retornarmos ao Brasil, possamos promover seminários e encontros para apresentar essas experiências e discutir como elas podem ser adaptadas à nossa realidade. Esse intercâmbio pode contribuir para o desenvolvimento regional e para o fortalecimento do agronegócio”, afirma.
Um dos pontos de destaque da missão é a visita à região de Almería, reconhecida mundialmente pelo uso intensivo de tecnologias agrícolas de alta eficiência.
A paisagem local é marcada por milhares de estufas brancas que se estendem por grandes áreas produtivas. Nessas estufas são cultivados tomate, pimentão, pepino e diversas hortaliças, formando um dos maiores polos de agricultura protegida da Europa.
O modelo chama atenção principalmente pelas condições climáticas da região. Em Almería, a precipitação média anual é de apenas 220 milímetros, volume considerado extremamente baixo para padrões agrícolas.
Mesmo assim, a região mantém cerca de 32 mil hectares de produção agrícola em estufas, resultado do uso intensivo de tecnologias de irrigação, manejo racional da água e sistemas produtivos altamente especializados.
Para Flávio Oliveira, a experiência espanhola demonstra como inovação tecnológica e planejamento hídrico podem transformar regiões áridas em importantes polos agrícolas.
“Aqui estamos diante de uma região que acumulou décadas de conhecimento na gestão da água. Mesmo com baixa precipitação, eles conseguiram estruturar um sistema produtivo extremamente eficiente. Já nos primeiros dias da missão foi possível observar iniciativas que podem inspirar soluções importantes para o Brasil”, destaca.
A participação de um representante do Norte de Minas na missão internacional ganha relevância justamente pelos desafios climáticos enfrentados pela região brasileira e áreas agrícolas do sul da Espanha.
O Norte de Minas convive historicamente com irregularidade de chuvas e longos períodos de estiagem, o que torna a irrigação uma ferramenta estratégica para ampliar a produção agrícola e garantir segurança hídrica.
“A troca de experiências com regiões que conseguiram desenvolver sistemas agrícolas altamente produtivos mesmo em ambientes áridos pode contribuir para o avanço de soluções tecnológicas e de gestão no Brasil”, encerra.
Durante a missão, os participantes visitam também as cidades de Sevilha, Córdoba e Huelva, onde têm contato com diferentes distritos de irrigação e centros de inovação que fazem da Espanha uma referência global em agricultura irrigada.
A expectativa é que o conhecimento adquirido durante a viagem possa fortalecer iniciativas voltadas ao desenvolvimento sustentável da agricultura brasileira, especialmente em regiões semiáridas como o Norte de Minas.