A Prefeitura de Montes Claros promove, no próximo dia 29, uma programação especial em alusão ao Dia Nacional da Visibilidade Trans, data celebrada no Brasil desde 2004 e dedicada à valorização da existência, da identidade e da resistência de pessoas trans e travestis dentro do movimento LGBTQIA+.
A ação é organizada pelas secretarias municipais de Desenvolvimento Social e de Saúde, por meio do Núcleo de Cidadania e Diversidade e do Ambulatório de Saúde Trans. O evento será realizado na Casa da Cidadania, na Praça Raul Soares, região central da cidade, com a participação de instituições parceiras como a Defensoria Pública do Estado de Minas Gerais, a 11ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) e o Instituto Roseiral.
Considerado um marco na luta por direitos e respeito, o Dia Nacional da Visibilidade Trans tem caráter simbólico e educativo. A data chama a atenção para a necessidade de reconhecimento da identidade de gênero e para a garantia de direitos fundamentais que ainda são negados diariamente a essa parcela da população.
Instituída em 2004, a data representa um avanço no reconhecimento da dignidade de pessoas trans, historicamente invisibilizadas. Para Livian Venturini, mulher trans e servidora pública municipal, apesar dos avanços obtidos por meio de políticas públicas afirmativas, os desafios permanecem. “Ainda enfrentamos dificuldades no acesso à educação, à saúde e, principalmente, ao mercado formal de trabalho. Eventos como este ajudam a promover respeito, visibilidade e cidadania”, ressaltou.
O presidente do Movimento LGBTQIAPN+ dos Gerais (MGG), José Cândido Filho, conhecido como Candinho, destacou a importância da mobilização diante dos altos índices de violência contra a população trans no país. Segundo ele, dados da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) apontam que o Brasil segue entre os países que mais registram assassinatos de pessoas trans e travestis. “Minas Gerais ocupa a segunda posição nesse ranking, atrás apenas de São Paulo. O Dia da Visibilidade Trans reforça a luta pela garantia e ampliação de direitos e pelo enfrentamento ao preconceito”, afirmou.
O Dia Nacional da Visibilidade Trans tem origem em 29 de janeiro de 2004, quando ativistas transgênero estiveram no Congresso Nacional para o lançamento da campanha “Travesti e Respeito”. A iniciativa integrou uma mobilização nacional construída por lideranças do movimento social trans, em parceria com o Programa Nacional de IST e Aids do Ministério da Saúde.
À época, a campanha buscava fortalecer ações de prevenção às infecções sexualmente transmissíveis e ampliar o debate sobre a vulnerabilidade social enfrentada por grande parte da população trans, muitas vezes excluída do mercado formal de trabalho em razão da discriminação. O lançamento tornou-se um marco histórico na luta pelo reconhecimento, pela igualdade de direitos e pelo respeito à diversidade de identidades de gênero no Brasil.