[views count="1" print="0"]

Montes-clarense conquista os EUA

O Brasil tem mais uma vez um nome centralizando holofotes do basquete norteamericano.

O Brasil tem mais uma vez um nome centralizando holofotes do basquete norteamericano. A montes-clarense Kamilla Cardoso, pivô de 22 anos, foi bicampeã da NCAA (liga universitária) com o South Carolina ao bater Iowa por 87 a 75 na final. A norte-mineira de 2,01 metros mira na WNBA (liga de basquete feminino dos EUA) e já está inscrita no draft. Na decisão, que confirmou o título invicto, Kamilla anotou um “double-double”, com 15 pontos e 17 rebotes. Natural do bairro Universitário, em Montes Claros, Kamilla começou a carreira já no high school americano (nível equivalente ao Ensino Médio brasileiro), aos 15 anos. Ela atuava no Hamilton Heights Christian Academy, do Tennessee.

No seu último ano, a pivô teve média de 24,1 pontos e 15,8 rebotes por jogo. Além dos números, o desempenho chamou atenção do esporte universitário. Ela entrou no programa da Universidade de Syracuse, de Nova York, como a recruta mais bem avaliada na história da equipe.

O começo da carreira universitária foi meteórico. Em uma vitória sobre Boston College, Kamilla fez 24 pontos e somou sete rebotes, convertendo 10 de 11 arremessos, o que lhe alçou à segunda melhor marca de uma jogadora de Syracuse na história do basquete feminino. Na primeira temporada, ela conquistou o prêmio de melhor novata da Conferência da Costa do Atlântico. Em 2021, Kamilla se transferiu para o time da Universidade de Carolina do Sul, como um pedido da técnica, a multicampeã olímpica e mundial Dawn Staley. No primeiro ano no novo time, a pivô liderou a equipe da Universidade da Carolina do Sul na vitória sobre Uconn Huskies, de Connecticut, por 64 a 49 na decisão do torneio e se tornou a primeira brasileira a erguer o troféu.

No campeonato deste ano, o terceiro título de South Carolina e o segundo de Kamilla, a brasileira venceu o prêmio de melhor jogadora da competição. Cada vez com mais destaque, a pivô tem conseguido conquistar alguns objetivos, como ser inspiração. “Espero continuar incentivando a todos a seguir em frente, não desistir dos seus sonhos, seguir lutando. É preciso acreditar nos seus sonhos, e você será capaz de conquistá-los”, disse a montes-clarense ao jornal Estadão, há dois anos, quando venceu o primeiro título do college.

O lugar de Kamilla hoje foi ocupado por outras atletas antes. O potencial da jovem faz com que sejam criadas expectativas para que ela repita Janeth Arcain, primeira brasileira a atuar na WNBA e tetracampeã com o Houston Comets. Janeth também foi campeã pan-americana e mundial com a seleção brasileira, além de duas pratas em Pans, uma nos Jogos Olímpicos de Atlanta 1996 e um bronze em Sydney 2000.

Kamilla está na seleção brasileira desde 2021, quando foi bronze na Copa América de Basquetebol Feminino, em Porto Rico. Ela teve média de 9,9 pontos e oito rebotes por jogo. O primeiro título representando o País veio em 2022, com o ouro no Campeonato Sul-Americano de Basquete, em que ela foi eleita melhor jogadora, com média de 14,8 pontos, 11,4 rebotes e 2,6 bloqueios por jogo. Na Copa América, ano passado, a pivô levou o Brasil ao título, novamente eleita melhor do torneio e com impressionantes 20 pontos e 11 rebotes na vitória por 69 a 58 contra os Estados Unidos na final.

Kamilla falou sobre a convicção em jogar no país norte-americano justamente para ter mais destaque e ajudar a seleção. O basquete brasileiro tem sofrido com desorganização política e falta de investimento nas categorias de base, o que impede que times locais e a seleção consigam captar importantes talentos.

“Eu acho que a falta de investimentos no basquete não teve tanto peso na minha decisão. Meu sonho sempre foi jogar basquete nos Estados Unidos, porque já sabia que o esporte não era tão valorizado no Brasil. Mas acho que não interferiu tanto. Meu sonho era jogar no ‘high school’, no ‘college’ e depois ir para a WNBA, e atuando no Brasil isso não seria possível”, argumentou Kamilla há dois anos.

O sonho não só é realizado, como Kamilla arranca elogios fortes no país. A técnica Dawn Staley comemorou o título enaltecendo Kamilla. “O que posso dizer, acima de tudo, é que ela não nos deixaria sem mais um título. Kamilla será uma das melhores jogadoras da WNBA. Porém, o mais importante é seu espírito. Uma das melhores companheiras de equipe que temos aqui. E além do brilho dela, a ajudamos a ir para a liga como campeã universitária. É maravilhoso”, afirmou a treinadora.

A lenda do Los Angeles Lakers Magic Johnson comentou o desempenho da brasileira depois do título, também citando outras atletas de destaque do college. “Kamilla Cardoso dominou todo o torneio. A calouro mostrou muita compostura e também teve grande impacto no jogo! Milaysia Fuiwiley estava fazendo passes e jogando durante toda a partida e Tessa Johnson marcou o recorde de sua carreira com 19 pontos. Eu também tenho que reconhecer Raven Johnson e Bree Hall por fazerem Caitlin Clark trabalhar duro para cada ponto durante todo o jogo”, escreveu o ex-armador.

O draft da WNBA será dia 15 de abril. Será o 29º da história da liga. Kamilla poderia atuar ainda mais um ano no college, devido a uma regra que estendeu uma temporada para jogadoras que tiveram o período afetado pela pandemia de covid-19. A montes-clarense, contudo, decidiu seguir para o profissional. Kamilla estará ao lado de outras duas brasileiras na liga: a ala-pivô Damiris Dantas, do Indiana Fever, e Stephanie Soares, quarta escolha do Draft de 2023, que joga pelo Dallas Wings.

KAMILLA se preparando para mais um jogo e abaixo com a sua mãe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendadas a você

North na final do Troféu Inconfidência
North na final do Troféu Inconfidência
North recebe o Uberlândia no jogo volta
North recebe o Uberlândia no jogo volta
Montes-clarense toma posse como auditor no TJD de Minas
Montes-clarense toma posse como auditor no TJD de Minas
MOC Vôlei perde liderança ao ser derrotado para o Norde
MOC Vôlei perde liderança aoser derrotado para o Norde
Gladiador de olho na classificação após empate com o Uberlândia em 1 a 1 no jogo de ida
Gladiador de olho na classificação após empate com o Uberlândia em 1 a 1 no jogo de ida
North enfrenta Uberlândia neste sábado
North enfrenta Uberlândia neste sábado
FMF divulga lances polêmicos no fim da partida entre North e América
North reclama de pênaltis e vê Mineiro manchado
North encara decisão contra o América em Belo Horizonte
North encara decisão contra o América em Belo Horizonte
Montes Claros Vôlei abre temporada 2026 em casa
North conquista acesso inédito à Primeira Divisão
Brasil busca vitória e 2º lugar contra o Uruguai
Atlético tenta vencer o Flamengo de olho na Libertadores de 2025
Brasil tenta vencer o Peru para subir na tabela
Sorteio dos mandos de campo da semifinal será nesta sexta
Montes Claros Vôlei estreia neste domingo no Ginásio Poliesportivo
Contra o Grêmio, Cruzeiro tenta se manter no G7
Caravana reúne 45 cidades em Valadares 
Após vazamento de anotações, Roscoe ganha protagonismo na disputa em Minas 
Surpreendido por “cabeça d’água”, idoso fica ilhado em contêiner após resgatar esposa e filhotes de cachorro
North na final do Troféu Inconfidência
AMAMS Articula Comitê Gestor Municipalista para Socorrer o NM nas Enchentes