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Lampião que habita o Norte de Minas: Fernanda Xavier estreia o filme “Não é homem”

Misturando "causos" de família e pesquisa histórica, o longa "Não é homem" resgata a identidade nortista

Nesta quinta-feira (15), o Cineflix do Ibituruna Shopping recebe a estreia de “Não é homem”, um longa-metragem que promete mergulhar o público nas raízes e nos mistérios do sertão mineiro. Dirigido pela professora-pesquisadora e cineasta Fernanda Xavier, o filme transforma uma lenda familiar em uma obra que questiona os limites entre a realidade e a ficção.

O projeto nasceu de um “causo” extraordinário: a história de Seu Luiz Berto, avô de Camila Gomes, produtora e diretora de fotografia do filme. Segundo ele, o Rei do Cangaço, Lampião, não teria morrido em Angico, mas sim vivido escondido no Norte de Minas.

“A surpresa com a possibilidade de Lampião ter vivido aqui… essa coisa extraordinária de ter histórias escondidas. Com a impossibilidade de documentar a história contada por seu Luiz, chegamos nessa ideia de fazer uma ficção com isso.”, relembra Fernanda Xavier. Sem poder documentar o relato original de Seu Luiz, a diretora uniu forças com Camila e as pesquisas do escritor José Geraldo Pereira para dar vida a essa “segunda vida” de Lampião através da ficção.

Para transformar essa história em imagens, Camila Gomes trouxe sua experiência de sete anos como assistente de câmera na Irlanda, mas com o coração fincado em suas origens. A direção de fotografia foi planejada para traduzir o sentimento de cada cena.

Na sequência do almoço, por exemplo, a escolha foi pelo olhar observador. “Optei por uma câmera mais parada. A energia vem dos próprios personagens”, explica Camila. “A comida mineira também tem um papel importante. A câmera flutua por cima da mesa, passando pelo pequi. A comida ali não é só cenário, faz parte da identidade.”

Já as cenas rodadas em São Francisco ganharam um tom diferente. “Optamos por câmera na mão, trazendo mais movimento e dinâmica. Isso acaba contribuindo até para o tom de comédia do filme”, revela a fotógrafa.

O filme também se tornou um exercício de logística. Para garantir que a complexidade do projeto e sua função como produtora não comprometesse a qualidade estética, ela contou com o apoio de Thamy Leonel na coordenação de set, permitindo que o foco permanecesse na fotografia.

Mas, para além da técnica, o projeto tocou em lugares sensíveis da memória de Camila. O impacto de recriar a figura de seus avós foi um dos momentos mais marcantes das filmagens. “Ter, de certa forma, meu avô e minha avó ali naquele espaço foi muito forte emocionalmente. Em vida, eu sempre pensei em entrevistá-lo, mas acabei deixando para o ‘amanhã’. Através do Seu Roberto (ator) eu pude vê-lo ali na minha frente. Foi impressionante o quanto ficaram parecidos. Isso mexeu muito comigo”. Revela a fotógrafa filha do jornalista e gerente da Intertv, Cácio Xavier.

Ela destaca que o filme “ganhou vida” em vários momentos: no roteiro, no set coletivo, na montagem final e com as muitas mãos talentosas que se juntaram no processo. O desafio de conciliar a rotina de professora e artista foi recompensado pelo resultado.

Mais do que provar uma teoria histórica, a obra quer provocar. “Queria que quem assistisse conseguisse rir e pensar o quanto essas histórias são nossas”, diz Fernanda. A diretora espera que o espectador saia do cinema com a mesma dúvida que move o filme: “Seu Luiz conta que prendeu Lampião, mas prendeu mesmo? Dizem que Lampião morreu em Angico, será? Será que é tudo história? será que toda história tem um pouco de real? o real tem um pouco de história? Não sei, mas gosto que fique a dúvida.’’ Mais do que respostas, “Não é homem” oferece ao público o prazer de se reconhecer na tela com o nosso jeito de falar, de comer e de contar o mundo.

Misturando "causos" de família e pesquisa histórica, o longa "Não é homem" resgata a identidade nortista

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