O investimento em energia limpa tem se consolidado como um importante vetor de desenvolvimento social e econômico em Minas Gerais, especialmente nas regiões mais vulneráveis do estado. Nos últimos cinco anos, a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) aplicou mais de R$ 6 milhões na implantação de 100 usinas solares fotovoltaicas, com forte concentração no Norte mineiro, promovendo economia, sustentabilidade e melhoria da qualidade de vida em comunidades urbanas e rurais.
A iniciativa beneficia diretamente centenas de famílias, ao reduzir custos com energia elétrica, ampliar o acesso à água e fortalecer atividades produtivas locais. A região Norte de Minas apresenta um dos maiores potenciais solares do país, com cerca de 300 dias de sol por ano, cenário considerado ideal para a geração de energia fotovoltaica em larga escala. Juntas, as usinas implantadas pela Codevasf somam potência instalada superior a 1.100 kWp e já produziram mais de 3,25 milhões de kWh de energia limpa.
Além do impacto econômico, o projeto contribui para a diversificação da matriz energética regional e para a redução dos impactos ambientais. A geração solar evitou a emissão de mais de 1.700 toneladas de dióxido de carbono (CO₂), reforçando o compromisso com práticas sustentáveis. Segundo a Companhia, o retorno do investimento já ultrapassa 50% nas fases iniciais, demonstrando a viabilidade financeira da iniciativa.
De acordo com o superintendente da Codevasf em Minas Gerais, Romeu Souto, as ações fazem parte do Programa de Arranjos Produtivos Locais (APL) e têm como foco o fortalecimento das pequenas comunidades rurais. “Estão sendo beneficiadas comunidades de diversos municípios, com sistemas de energia voltados para poços tubulares de abastecimento de água, unidades de processamento de frutas e mel, apoio à agricultura familiar, além de unidades de corte e costura e atividades comunitárias”, destaca.
Os sistemas implantados utilizam tecnologias on-grid e off-grid, adaptadas às diferentes realidades locais. Enquanto os sistemas conectados à rede permitem a compensação da energia gerada na fatura elétrica, os modelos off-grid garantem autonomia energética a comunidades que não dispõem de rede convencional, especialmente em áreas isoladas. Esse modelo tem sido fundamental para assegurar o funcionamento de sistemas de abastecimento de água e serviços essenciais.
Segundo o engenheiro eletricista da Codevasf em Minas Gerais, Rodrigo Ugoline, a compensação de energia tem impacto direto no orçamento das comunidades. “A produção de energia nas áreas rurais e urbanas reduz significativamente as contas de eletricidade, permitindo que os recursos economizados sejam direcionados a outras necessidades locais”, explica.
Um dos exemplos mais expressivos dos resultados do programa está na comunidade de Barreiro, no município de Turmalina, no Vale do Jequitinhonha. A usina solar instalada no local abastece três bombas responsáveis pela distribuição de água captada no rio Araçuaí, a mais de 1,5 quilômetro de distância. O sistema atende 132 famílias por meio de uma rede de aproximadamente 10 quilômetros de extensão.
Para a agricultora orgânica e empreendedora gastronômica Maria Floraci, conhecida como dona Cissa, a chegada da energia solar transformou a realidade local. “Antes, trabalhávamos no vermelho por causa dos altos custos de energia e manutenção. Hoje, a situação é mais equilibrada”, afirma. A usina também abastece a sede comunitária e a tenda de farinha, equipada com máquinas fornecidas pela Codevasf.
Com a redução dos custos e a estabilidade energética, a comunidade já projeta novos avanços. Dona Cissa destaca a possibilidade de implantação de uma agroindústria para o processamento de frutas, legumes e verduras produzidos localmente, utilizando a estrutura de uma cozinha comunitária existente. “A energia limpa abriu novas perspectivas de crescimento e geração de renda”, conclui.