Academia Bioativa completa quinze anos de sucesso e compromisso com o público feminino
No coração de Montes Claros, o que começou como uma visão pioneira de uma jovem recém-formada em Educação Física completa, este mês, 15 anos de história. A Academia Bioativa, idealizada por Ângela Maria Magalhães Araújo, hoje com 37 anos, não é apenas um centro de treinamento. É um território de segurança, acolhimento e liberdade para o público feminino.
Em uma época onde o conceito de espaços exclusivos para mulheres ainda engatinhava na região, a empresária enxergou uma lacuna que ia muito além dos halteres e esteiras: a necessidade de atenção real para o público feminino. “Há 15 anos, as mulheres não tinham tanto espaço para se exercitar. Víamos grupos de idosos em parques, mas não um lugar dedicado inteiramente a elas. A intenção foi justamente dar um espaço para as mulheres terem vontade de se cuidar e de saber que elas teriam mais atenção “, relembra a empresária.
Assim nasceu a Academia Bioativa, uma unidade exclusiva para mulheres que, em fevereiro, celebra uma década e meia de existência. O que começou como uma aposta em um nicho pouco explorado transformou-se em um case de sucesso de gestão, criatividade e empatia.
Peso da vergonha substituído pela liberdade de viver
Durante a entrevista, Ângela traz à tona uma realidade dura, mas comum no universo feminino: o medo do julgamento e a pressão estética sofrida, que muitas vezes vem de casa. “A maioria vem com vergonha. Têm mulheres que tentam emagrecer sozinhas antes de pisar na academia pela primeira vez, porque elas têm muita vergonha por preconceito que muitas vezes vem dos próprios companheiros, familiares, que falam que elas estão gordas e feias. Além disso, elas temem não ter a atenção devida. Quando elas chegam aqui, tentamos voltar para a questão do cuidado até mesmo dessas questões emocionais”, revela a empresária. Segundo ela, muitas alunas chegam com o emocional fragilizado por comentários depreciativos e pelo medo do julgamento alheio.
A Bioativa que funciona na Avenida Olímpio Prates, 868, Bairro Major Prates atua diretamente nessa dor. Ao eliminar a presença masculina, a academia remove também a sensação de estar sendo observada ou “avaliada”. A exclusividade feminina elimina barreiras invisíveis, mas muito presentes no cotidiano das mulheres. Na academia, o medo de olhares invasivos durante movimentos específicos ou o constrangimento comum em períodos menstruais simplesmente não existem.
“Aqui, elas entendem que podem treinar com a roupa que quiserem e fazer o movimento que precisarem. Se a roupa sujar por causa do ciclo menstrual, todas ali entendem, porque todas passam por isso. É um nível de liberdade que uma academia convencional dificilmente oferece”, explica Ângela.
Uma gestão com olhar de mãe
A evolução da Bioativa acompanha a evolução da própria Ângela. Ao se tornar mãe, ela percebeu que a falta de suporte para os filhos era um dos maiores motivos de desistência das mulheres. A resposta foi estratégica: uma ampliação recente que incluiu um Espaço Kids seguro.
“Eu via meus filhos esperando na escada porque não tinha lugar para eles. Hoje, as alunas podem trazer as crianças. Elas treinam tranquilas porque sabem que os filhos estão seguros e por perto”, conta. Além disso, a gestão de pessoas de Ângela é rigorosa: todos os profissionais são mulheres treinadas não apenas para prescrever exercícios, mas para acolher alunas em momentos de crise de ansiedade ou exaustão emocional.
“Elas de Rosa”: a cor que move o Norte de Minas
Se dentro da academia o foco é a individualidade, fora dela o foco é a coletividade. Há 14 anos, Ângela criou a Corrida Elas de Rosa, inicialmente para integrar as alunas que não tinham tempo de conversar durante o treino.
O que era um pequeno grupo de corrida de rua tornou-se um fenômeno regional. O crescimento é exponencial. O início que contava com 200 inscritas, hoje acolhe cerca de 1.700 corredoras de várias cidades do Norte de Minas vem à Montes Claros para o evento em comemoração ao Dia Internacional da Mulher.
A corrida funciona como a porta de entrada para muitas mulheres que nunca praticaram esportes, criando uma rede de apoio que combate a depressão e a baixa autoestima através do convívio social e do exercício físico.
Um legado de fidelidade
Em um mercado onde a rotatividade de alunos é altíssima — com média de permanência de apenas três meses —, a Bioativa ostenta números impressionantes. Há alunas que estão com Ângela desde o primeiro dia, há 15 anos. Para a fundadora, o segredo é a fidelidade inerente ao público feminino quando este se sente acolhido e respeitado.
“Não é só sobre o exercício, é sobre o social. Temos que estar preparados para lidar com crises de ansiedade e problemas que elas trazem de casa. O exercício é a ferramenta, mas o acolhimento é o nosso diferencial”, conclui a empresária.
Após uma recente ampliação física e a modernização constante de equipamentos, o foco da Bioativa para os próximos anos é consolidar o atendimento humanizado. Em um cenário onde a ansiedade e a depressão são desafios crescentes, Ângela reafirma o papel social de seu negócio. Ao completar 15 anos, a Bioativa não celebra apenas o sucesso comercial, mas a resistência e a força de uma visão que provou que, para cuidar do corpo de uma mulher, é preciso, antes de tudo, respeitar a sua história e a sua mente.