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Escassez hídrica é tema de reunião

Lideranças rurais apontam a gravidade da situação e esperam socorro ao Norte de Minas

Os desafios da falta de água e as possibilidades de socorro para os produtores da região foram pauta de reunião, nessa segunda-feira, entre a Sociedade Rural de Montes Claros, o Sindicato dos Produtores Rurais e a Secretaria Municipal de Agricultura, que participaram de maneira presencial, no Parque de Exposições João Alencar Athayde. Já de forma remota, colaboraram a Emater Minas e a Procuradoria Geral do Município.

A intenção é mitigar os impactos que vêm desde o ano passado por causa da escassez hídrica. “Foram discutidos os principais desafios enfrentados pelo norte-mineiro devido à prolongada seca que assola a região, queda substancial na produção agrícola e pecuária, alto custo de suplementação do rebanho, dificuldade para liquidação e renegociação de operações de crédito, e o mais importante, atender às necessidades de consumo humano e animal de água, que em algumas regiões só está chegando através dos caminhões-pipa”, destacou o presidente da Rural, José Henrique Veloso.

Entre as possibilidades de socorro, a primeira definição foi que Montes Claros deve decretar nos próximos dias o Estado de Emergência em decorrência da seca. A reunião também ressaltou a importância da conscientização e educação da população sobre a necessidade de preservação dos recursos hídricos, além de estratégias para minimizar os impactos econômicos da falta de água.

“O encontro foi considerado um passo importante no sentido de buscar soluções coletivas para enfrentar a crise hídrica na região. A intenção é que ações conjuntas entre as entidades de classe e a Prefeitura possam trazer alívio aos produtores afetados e garantir a sustentabilidade econômica e ambiental da região a longo prazo”, esclareceu Osmani Barbosa Neto, Secretário de Agricultura de Montes Claros.

Presidente do Sindicato Rural, Alexandre Rocha explicou que desde fevereiro não há chuvas significativas. “Os rios estão secando, os plantios deste ano já foram perdidos, a produção de leite caiu substancialmente e animais já estão morrendo de fraqueza. As reservas de silagem e capineiras estão no final. Mantemos a esperança de que a chuva chegue, mas precisamos que o Município faça o decreto de emergência por causa da seca, com objetivo de noticiar oficialmente a situação e sensibilizar os governos estadual e federal para a necessidade de medidas de socorro”, afirmou o líder classista.

O gerente regional da Emater, em Montes Claros, José Arcanjo Marques Pereira, informou que de 1º de julho a 11 de dezembro já está num novo ciclo, nova safra agrícola 2023 para 2024, e também em um novo ciclo hidrológico também. Para ele, o problema é que coincide com o período de aumento da elevação das temperaturas, muito calor, e houve pouquíssima pluviosidade.

Segundo Arcanjo, os dados do Polo Norte de Minas estão sendo consolidados, ainda assim, a regional de Montes Claros, que envolve 22 municípios, já consegue chegar a uma média em torno de 340 milímetros de chuva somente. “Ou seja, em todo esse período de julho, agosto, setembro, outubro e novembro, e até 11 de dezembro, quase completando os seis meses, chuva que talvez não sirva nem só para um mês. E o mais grave é porque ao extremo Norte, que é Salinas, Janaúba e Januária, a tendência é ser pior. Então isso já comprometeu parte da safra agrícola de grãos sequeiro plantados no final de outubro e novembro e também a recuperação das pastagens já existentes e de novas que foram ou estão sendo semeadas agora entre novembro e dezembro”, explicou o gerente da Emater.

O período sinaliza um momento difícil, muito crítico para o enfrentamento por parte dos agricultores e dos pecuaristas. “Não vislumbramos uma situação melhor para frente, mesmo que chova já está muito comprometido. Tem também a questão da reserva hídrica, que é a recarga hídrica do aquífero, do lençol freático, que não está sendo promovida. Para se ter uma ideia, a média desses últimos seis meses é de dois milímetros de chuva por dia em média, mas na verdade choveu só 22 dias e já evapotranspirou em torno de seis milímetros e meio por dia.”, anunciou.

Escassez hídrica é tema de reunião
Osmani Barbosa Neto, Henrique Veloso, Alexandre Rocha e Flávio Gonçalves discutem a gravidade da escassez hídrica

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