Parceria entre Mercosul e União Europeia acumula alta de 14,8% e
abre novas perspectivas para produtores
Os primeiros meses de aplicação provisória do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia trouxeram um fôlego inédito para o comércio exterior brasileiro, com um crescimento de 14,8% nas vendas do agronegócio para o bloco europeu. O saldo positivo evidenciado entre maio e setembro revela que a desoneração tarifária e a facilitação de acesso a um mercado de expressivo poder aquisitivo beneficiam diretamente os produtores que conseguem aliar escala, qualidade e conformidade normativa.
Do ponto de vista prático, os impactos variam conforme o porte do produtor rural. Para os grandes produtores e exportadores, o acordo funciona como um poderoso motor de expansão, impulsionando cadeias consolidadas como o complexo soja (que cresceu 34,2%), os produtos florestais e o setor de carnes, cujos embarques registraram saltos expressivos em volume e receita. Já para os médios e pequenos produtores, organizados em cooperativas ou redes associativas, o tratado abre uma janela estratégica de valorização para nichos de alta qualidade — a exemplo da fruticultura (como mangas e maçãs), cafés especiais e produtos apícolas —, que ganham competitividade frente às barreiras tarifárias reduzidas.
Apesar do otimismo generalizado com a alta de 17% no superávit comercial do setor com a Europa, especialistas e lideranças ponderam que o sucesso a longo prazo dependerá da capacidade de adequação às exigências regulatórias do continente, como as normas de rastreabilidade e sustentabilidade. O acesso a essas novas oportunidades comerciais exige investimento em assistência técnica e rigor na gestão dentro da porteira, garantindo que toda a cadeia produtiva — independentemente do tamanho da propriedade — esteja preparada para atender aos exigentes padrões do mercado internacional sem perder margem de lucro.