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Clima extremo ameaça a economia do agro

PNUMA alerta sobre meta de emissões enquanto estudo aponta bilhões em risco na safra de soja devido ao El Niño

A urgência da agenda climática deixou de ser apenas uma diretriz ambiental para se transformar na principal variável de sobrevivência e sustentabilidade da economia agrícola global e nacional. Relatório divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) destaca que as emissões globais de gases de efeito estufa precisam cair pelo menos 18% até o ano de 2030 para que o planeta consiga limitar o aquecimento global às metas críticas de temperatura e evitar alterações drásticas nos ciclos hidrológicos. A falha em mitigar esses impactos alimenta diretamente a severidade de fenômenos como o El Niño, cujas oscilações extremas desestabilizam o regime de chuvas e ameaçam a segurança alimentar e financeira do setor produtivo.
Os reflexos dessa vulnerabilidade climática sobre a economia real já podem ser mensurados com precisão nas lavouras brasileiras. Um estudo inédito da Serasa Experian revela que, sob um cenário de El Niño forte, a próxima safra brasileira de soja corre o risco de registrar uma quebra de produção de até 17,6 milhões de toneladas, colocando em risco cerca de R$ 33 bilhões — o equivalente a quase 9,4% do Valor Bruto da Produção (VBP) da oleaginosa. Estados produtores estratégicos, como Mato Grosso e Goiás, concentram grande parte dessa exposição de risco, que chega acompanhada por um cenário de endividamento no crédito rural superior a R$ 205 bilhões e alta na inadimplência e em pedidos de recuperação judicial.
Para o produtor rural, seja de pequeno, médio ou grande porte, a imprevisibilidade climática impõe a necessidade imperativa de transição para modelos de gestão mais resilientes. A adoção de práticas agrícolas sustentáveis, investimentos em conservação de solo, manejo hídrico eficiente e cultivares tolerantes ao estresse térmico e hídrico passa a ser a única barreira contra a insolvência financeira. A estabilidade econômica do agronegócio brasileiro, portanto, está indissociável do cumprimento das metas globais de redução de emissões, exigindo cooperação multissetorial para blindar as lavouras contra os custos alarmantes da crise climática nas próximas décadas.

Mitigação de emissões e resiliência climática tornam-se urgência econômica para a sobrevivência das lavouras no país
Mitigação de emissões e resiliência climática tornam-se urgência econômica para a sobrevivência das lavouras no país

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