Camilo Santana, um dos coordenadores de campanha do petista, anunciou que levará ao TSE documentos com as autorizações
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou aceitar todas as condições impostas pelo adversário Flávio Bolsonaro (PL) para autorizar a quebra de sigilo dele e da família. O senador Camilo Santana (PT-CE), um dos coordenadores de campanha do petista, anunciou que levará ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), documentos com as autorizações das pessoas solicitadas pela campanha do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Desafiado por Lula a quebrar seu sigilo e da família, Flávio disse aceitar, mas impôs condições, como a abertura dos sigilos bancário, telefônico e fiscal de Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete do chefe do Executivo. Também cobrou o fim do sigilo das contas de todas as pessoas que receberam recursos do Instituto Lula. Além disso, o presidenciável do PL quer uma lista de pessoas que visitaram Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, enquanto estava preso na Superintendência da Polícia Federal, e detalhes dos gastos da primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, em viagens internacionais.
“Lula nem tem celular, como é que ele quer abrir o sigilo do telefone dele? Só que eu não só vou aceitar o desafio, como eu vou levar até às últimas consequências”, declarou Flávio. “Eu abro meu sigilo do telefone sim, mas o Marcola tem que abrir o dele.”
Apesar da declaração, Flávio não detalhou como pretende formalizar a abertura dos sigilos nem esclareceu se a medida também alcançaria seus familiares.
Lula fez o desafio a Flávio durante o debate na TV Bandeirantes, no domingo. Na terça-feira, o presidente protocolou documento no TSE autorizando a abertura dos sigilos bancário, telefônico e fiscal dele e da família, mas somente se o adversário fizer o mesmo.
O movimento do petista busca colocar sob escrutínio a evolução patrimonial e as movimentações financeiras dos dois. De acordo com Lula, a abertura de sigilos tem o objetivo de “mostrar quem é ladrão”. Nos bastidores, aliados do candidato do PL haviam descartado, inicialmente, aderir ao desafio de Lula.
A contrapartida feita por Flávio, segundo Camilo Santana, foi aceita pelo chefe do Executivo. “A única resposta é que o presidente não se opõe a absolutamente nada que ele (Flávio) está propondo”, afirmou o coordenador de campanha, em conversa com jornalistas, no QG de campanha.
O ofício a ser apresentado ao TSE, hoje, estabelecerá a condição de que a abertura do sigilo de Marcola; e Fábio Luís Lula da Siva, filho do presidente; entre outros, e das viagens de Janja dependerá de explicações de um possível envolvimento de Flávio Bolsonaro no comando da empresa Alcazar Holding, com o advogado Willer Tomaz, investigado no escândalo das fraudes no INSS.
Santana disse ter visto com “estranheza” o fato de o candidato do PL não ter declarado ser sócio da empresa Alcazar Holding. “Que ele (Flávio) também cumpra e abra tudo que o presidente protocolou no TSE, porque nós estranhamos que ele tirou uma empresa, a Alcazar Holding, que é exatamente a empresa que ele tem”, citou o coordenador.
A possível relação entre Flávio e Tomaz foi apontada pela Polícia Federal em um pedido de inquérito contra o dois enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo a corporação, o presidenciável seria um “usuário máster” de uma conta bancária de Tomaz e que isso, “analisado em conjunto com os demais vínculos identificados, sustenta a hipótese de eventual participação econômica ou societária de fato na empresa”.