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Alerta hídrico no Cerrado

Bioma perde 13,9 milhões de hectares de vegetação nativa nas margens de rios

O bioma Cerrado registrou uma perda alarmante de 13,9 milhões de hectares de vegetação nativa em áreas localizadas a até 500 metros de rios e outros cursos d’água ao longo de um período de quatro décadas, compreendido entre 1985 e 2025. O dado faz parte de um estudo detalhado divulgado pela plataforma MapBiomas, evidenciando o impacto acelerado da supressão vegetal sobre as chamadas matas ciliares, fundamentais para a proteção dos mananciais, a contenção de processos erosivos e a filtragem de sedimentos que escoam para os rios.
O levantamento aponta que a devastação se concentrou de forma expressiva em bacias hidrográficas vitais para o país. A Bacia do Alto Tocantins lidera as estatísticas negativas com a perda de 2,9 milhões de hectares de vegetação ribeirinha, seguida de perto pela Bacia do Araguaia, que contabilizou a redução de 2,7 milhões de hectares. Juntas, essas duas regiões respondem por 41% de toda a supressão de vegetação nativa registrada nas proximidades dos cursos d’água do bioma. A maior parte dessa degradação, cerca de 77,7%, ocorreu em propriedades privadas, impulsionada fortemente pela expansão das atividades agropecuárias sobre as faixas de proteção.
Especialistas em recursos hídricos alertam que a remoção contínua da vegetação protetora compromete severamente a recarga dos aquíferos e a regularidade do regime de vazão dos rios, agravando crises de abastecimento e intensificando os impactos de eventos climáticos extremos, como secas prolongadas. A perda de quase 14 milhões de hectares de margens preservadas — uma área equivalente ao território de estados inteiros — impõe um desafio urgente para a formulação de políticas públicas mais rígidas de fiscalização e para o avanço de iniciativas de restauração ecológica voltadas à sobrevivência das bacias hidrográficas do Cerrado.

Supressão de vegetação nativa às margens de rios compromete bacias hidrográficas no Cerrado
Supressão de vegetação nativa às margens de rios compromete bacias hidrográficas no Cerrado

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