Iniciativa pioneira oferece formação prática para crianças, adultos e idosos
No dia em que o Código de Defesa do Consumidor (CDC) celebrou 36 anos de promulgação, Montes Claros alcançou um divisor de águas na proteção do cidadão ao inaugurar a primeira Escola Municipal de Educação para o Consumo com sede física, equipe pedagógica própria e política pública permanente instituída no Brasil. Localizada na área central da cidade, nos fundos da sede do Procon Municipal (Rua Coronel Altino de Freitas, nº 98), a unidade foi projetada para atender mais de quatro mil estudantes da rede pública por ano, além de promover oficinas continuadas direcionadas a adultos e idosos.
A infraestrutura novíssima conta com um auditório moderno com capacidade para 80 pessoas e um diferenciado Mercado Modelo interno. Nesse ambiente temático, os participantes vivenciam simulações práticas de compras, aprendem a analisar rótulos, comparar preços, compreender taxas de juros e exercitar o consumo ético e sustentável. O espaço transforma conceitos teóricos de economia em experiências reais de aprendizado, preparando futuros clientes, consumidores conscientes e cidadãos plenamente munidos de seus direitos.
A origem da escola é um símbolo do poder da cidadania ativa. O projeto nasceu após um morador de Montes Claros denunciar uma cobrança indevida ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). A apuração resultou em ação civil pública e em um acordo judicial que destinou verbas indenizatórias para a reforma do Procon e a construção da escola. Para o prefeito de Montes Claros, Guilherme Guimarães, a iniciativa reflete a visão de uma gestão que investe no futuro: “Trata-se de um projeto estruturante que perdura no tempo e transforma a sociedade. Estamos preparando nossas crianças para tomarem decisões financeiras corretas e exercerem a verdadeira cidadania econômica desde cedo”.
A proposta pedagógica ataca gargalos contemporâneos como o letramento financeiro deficiente, a influência dos algoritmos, o assédio da publicidade infantil, o risco das apostas digitais e o superendividamento. O promotor de Justiça e coordenador Regional de Defesa do Consumidor, Felipe Gustavo Gonçalves Caires, ressalta a urgência da medida: “Em uma era de plataformas digitais, de superendividamento e de problemas com bets, é fundamental trabalharmos a educação para o consumo dos nossos jovens. Inclusive porque eles também serão os futuros fornecedores e assim tenderão a colaborar para relações mais equilibradas”.
O diretor da unidade, Allysson Danilo Dantas Silva, comemora o início das atividades: “A aula inaugural marca o início de uma importante política de educação e fortalecimento da cidadania. A iniciativa amplia o acesso ao conhecimento e contribui para relações de mercado mais justas”. A visão é compartilhada pela coordenadora pedagógica Elisângela Mesquita Silva, que detalha o método prático: “Promovemos formação continuada por meio da experienciação, articulando o aprendizado teórico às vivências cotidianas dos cidadãos”.
A aprovação entre os alunos foi imediata. Ana Clara dos Santos Marques, de 12 anos, estudante do 6º ano da Escola Municipal Alcides Carvalho, resumiu o impacto da primeira aula: “Achei muito legal. Aprendi sobre educação financeira e percebi que somos consumidores desde o dia em que nascemos até o fim da vida”. Com estrutura de vanguarda, Montes Claros consolida um modelo perene de formação cidadã que serve de referência para todo o território nacional.
