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Condomínios podem transformar resíduos em adubo

Compostagem reduz envio de orgânicos a aterros e devolve nutrientes ao solo

Condomínios residenciais podem se transformar em pequenos centros de economia circular ao separarem e compostarem os resíduos orgânicos produzidos diariamente. Cascas, restos de frutas, verduras, podas e outros materiais biodegradáveis, em vez de seguirem junto ao lixo comum, podem ser transformados em composto orgânico para jardins, hortas e áreas verdes.

A iniciativa ganha importância porque os resíduos orgânicos representam aproximadamente metade dos resíduos urbanos gerados no Brasil. Quando encaminhados aos aterros, deixam de cumprir seu papel natural de devolver nutrientes ao solo e contribuem para a geração de gases e chorume durante a decomposição. A compostagem cria outra rota: transforma aquilo que seria descartado em recurso.

Em condomínios, a implantação pode começar com a separação dos resíduos nas unidades, recipientes específicos nas áreas comuns e uma estrutura adequada para a compostagem. O composto produzido pode ser utilizado na própria área verde, reduzindo a necessidade de aquisição de determinados insumos para jardinagem e estimulando hortas comunitárias.

A prática também pode estimular o uso de adubos verdes, plantas cultivadas com a finalidade de melhorar as condições do solo e incorporar matéria orgânica ao sistema. Assim, o condomínio passa a integrar diferentes etapas de um ciclo: separa resíduos, produz composto, recupera nutrientes e utiliza a matéria orgânica no próprio espaço.

Mais do que uma ação individual, a compostagem condominial pode funcionar como política ambiental local. A Política Nacional de Resíduos Sólidos já estabelece a compostagem como uma das formas de tratamento dos resíduos orgânicos, enquanto o planejamento nacional prevê ampliar a recuperação de materiais e reduzir o volume destinado à disposição final.

O desafio está em organizar a separação, garantir orientação aos moradores e criar sistemas de coleta e tratamento compatíveis com cada realidade. Mas o princípio é simples: menos matéria orgânica enterrada, mais nutrientes retornando ao solo. Em cidades que buscam reduzir custos, ampliar áreas verdes e avançar na sustentabilidade, o condomínio pode deixar de ser apenas gerador de resíduos e tornar-se parte da solução.

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