A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) tenta organizar uma rede de aliados para ampliar a presença digital do presidenciável e responder à ofensiva de nomes ligados ao presidente Lula (PT). A estratégia, desenhada em meio a um incômodo com o desempenho do senador nas redes sociais, prevê escalar parlamentares de grande alcance para comprar brigas, rebater ataques e repercutir mensagens do QG da candidatura, além de distribuir temas específicos entre porta-vozes. A ideia é reduzir a dependência de Flávio para protagonizar os confrontos no ambiente digital.
O movimento ocorre no momento em que a própria família Bolsonaro expõe diferenças de desempenho nas redes. Em vídeos publicados por Flávio e Michelle Bolsonaro para tentar encerrar a crise recente, a ex-primeira-dama alcançou 12,7 milhões de visualizações, ante 1,6 milhão do senador — quase oito vezes mais. O resultado reforçou no entorno do candidato a percepção de que ele ainda tem dificuldade para converter em audiência própria o capital digital acumulado pelo bolsonarismo.
O problema não é falta de presença da direita nas redes. Levantamento do Instituto Democracia em Xeque mostra que, entre 4 e 10 de agosto, a extrema direita respondeu por 52% a 61% das publicações monitoradas diariamente, enquanto a esquerda oscilou entre 28% e 34%.