Representante do PT do Norte de Minas na Câmara dos Deputados, Paulo Guedes destacou a importância do projeto que propõe o fim da escala de trabalho 6×1, em tramitação na Casa com apoio do governo do presidente Lula. Segundo ele, há boas perspectivas de aprovação da matéria, especialmente após a decisão do presidente da Câmara, Hugo Motta, do PP-PB, que determinou o início da tramitação da proposta logo após o retorno do recesso legislativo.
Para Paulo Guedes, a movimentação sinaliza que o debate ganhou densidade política e respaldo social suficientes para avançar. “São movimentos que indicam que o tema ganhou maturidade para ser encaminhado em favor da grande quantidade de brasileiros que aguardam sua vigência”, afirmou. O deputado avalia que, nos últimos anos, a discussão sobre a jornada de trabalho deixou de ser uma pauta restrita a sindicatos e movimentos sociais e passou a ocupar espaço central na agenda econômica e social do país.
A chamada escala 6×1 — em que o trabalhador atua por seis dias consecutivos para folgar apenas um — é comum em setores como comércio, serviços e parte da indústria. Críticos do modelo apontam que ele impõe desgaste físico e emocional elevado, além de limitar o convívio familiar e o acesso a atividades de lazer, estudo e qualificação profissional. Nesse contexto, a proposta em análise no Congresso busca reestruturar a jornada semanal, com a meta de consolidar o regime de 36 horas semanais, sem redução de salários, afirma o petista.
O parlamentar reconhece que a autoria e a condução política da matéria deverão ser disputadas por diferentes atores no Congresso Nacional, mas reafirmou seu total apoio às iniciativas apresentadas pelos colegas Erika Hilton e Reginaldo Lopes, que tratam da redução da jornada e da reorganização das escalas de trabalho. De acordo com ele, mais importante que a paternidade da proposta é a construção de um texto capaz de reunir maioria e garantir segurança jurídica tanto para trabalhadores quanto para empregadores.
Paulo Guedes enfatiza que a discussão não se limita à melhoria da qualidade de vida, embora este seja um dos eixos centrais do projeto. Ele defende que qualquer transição para a nova jornada deve assegurar a manutenção integral dos salários, evitando perdas no poder de compra e impactos negativos no consumo das famílias. “Não se trata apenas de trabalhar menos horas, mas de trabalhar melhor e viver melhor, sem comprometer a renda”, pontuou.
Na avaliação do deputado, a principal resistência à redução da jornada está ancorada no argumento de que a medida poderia gerar impactos negativos sobre a economia, pressionando custos e reduzindo a produtividade. Contudo, ele contesta essa tese com base em estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), que indicam que a maioria dos setores produtivos tem condições de absorver a mudança, especialmente quando considerada a evolução tecnológica e os ganhos de produtividade acumulados nas últimas décadas. De acordo com esses levantamentos, o efeito econômico da redução da jornada tende a ser semelhante ao observado anteriormente nas reduções do salário mínimo inicialmente contestadas, mas posteriormente incorporadas à dinâmica do mercado.
Para o parlamentar, a modernização das relações de trabalho precisa dialogar com a realidade de um país que já experimenta transformações profundas em sua estrutura produtiva. Ele argumenta que os avanços tecnológicos, a automação e a digitalização de processos ampliaram a capacidade de produção em diversos segmentos, o que torna razoável discutir a redistribuição do tempo de trabalho. “Os avanços tecnológicos e os saltos de produtividade precisam se traduzir em tempo de vida para quem carrega este país nas costas. O mundo mudou e as legislações precisam acompanhar o ritmo do tempo”, sustenta.
Além da dimensão econômica, Paulo Guedes destaca que o debate envolve questões de isonomia e saúde pública. Jornadas extensas e ritmos intensos de trabalho estão associados ao aumento de doenças ocupacionais, transtornos mentais e afastamentos previdenciários. A redução da carga horária, segundo ele, pode contribuir para diminuir custos indiretos ao Estado, melhorar indicadores de bem-estar e fortalecer a produtividade no médio e longo prazo.
O deputado também observa que experiências internacionais demonstram que jornadas mais curtas não necessariamente comprometem resultados empresariais. Em muitos casos, a reorganização do tempo de trabalho tem sido acompanhada por aumento de eficiência, maior engajamento dos trabalhadores e redução da rotatividade. Para ele, esses exemplos reforçam a necessidade de o Brasil atualizar sua legislação para alinhar-se às tendências globais.
A expectativa é que o projeto avance nas comissões temáticas, onde passará por debates técnicos e audiências públicas, antes de seguir para votação em plenário. Paulo Guedes acredita que o apoio do governo federal e a articulação da base aliada serão determinantes para consolidar maioria. Ele ressalta que o diálogo com o setor produtivo será fundamental para construir consensos e mitigar resistências. Caso aprovada, a fim da escala 6×1 representará uma das mais significativas alterações nas relações de trabalho das últimas décadas no país.
