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Psicóloga defende que propósito feminino precisa ir além do cuidado

Valéria Volker defende o fim da culpa e busca pela autorrealização

O autoconhecimento surge como ferramenta principal para lutar contra dores emocionais

Uma casa em ordem, filhos bem cuidados e uma carreira em ascensão. O que aos olhos da sociedade parece o retrato do sucesso feminino, para a psicologia pode ser um sinal de alerta Em uma entrevista reveladora sobre saúde mental, a psicóloga Valéria Volker alerta que o excesso de atividades — a famosa “mulher multitarefa” — muitas vezes funciona como um esconderijo para fragilidades emocionais e transtornos silenciosos.

A queda da “supermulher”

Segundo Valéria, muitas mulheres conseguem sustentar rotinas impecáveis mesmo não estando bem psicologicamente, mas esse esforço tem um prazo de validade. “As pessoas vão conseguindo desempenhar atividades até que um dia a casa cai”, explica. A negação da dificuldade é o que agrava o quadro, tornando o “tombo” muito mais perigoso quando a capacidade de sustentação se esgota.

A psicóloga destaca ainda que a ansiedade tem sido um dos diagnósticos mais recorrentes entre as mulheres. Para muitas, o excesso de zelo doméstico ou profissional é uma tentativa de cobrir um vazio ou um sofrimento. “Muito importante que a pessoa se conheça, porque às vezes ela tá colocando no trabalho da casa, na exigência de uma higienização, de uma ordem em casa que está faltando na vida dela. Na psicologia, e gente costuma falar que onde há excesso, há uma falta”, pontua a especialista. Quando a mulher se dedica exclusivamente ao cuidado do outro — marido, filhos e casa — ela pode entrar em um ciclo de autonegligência e apagar a sua própria identidade.

O corpo que clama por ajuda

Muitas vezes quando a mente não consegue mais processar o estresse, o corpo assume o papel de porta-voz. Valéria lista uma série de sintomas físicos que são, na verdade, “pedidos de socorro” do organismo: insônia, bruxismo, dores musculares, refluxo, labirintite e até doenças dermatológicas.

“O corpo dá o sinal. A pessoa precisa parar e se reintegrar. A mulher na nossa cultura tem o papel de sustentar e acolher, muitas vezes em detrimento do próprio autocuidado”, afirma.

Nesse equilíbrio precário, qualquer “sopro” pode ser o gatilho para o colapso. Valéria cita desde o impacto do Transtorno Pré-Menstrual (TPM) até casos graves de depressão pós-parto, agravados pela pressão social para uma produtividade imediata. Para ela, é urgente desconstruir o mito da mãe perfeita: “O amor é o que salva as falhas da criação. A gente tende a querer ser uma pessoa melhor quando a gente tem filhos, mas perfeição não existe. Não existe mãe perfeita, nem filho perfeito. Gente perfeita não existe e não há problema nenhum nisso”.

O fim da culpa e o resgate do sentido

Para a psicóloga, a solução passa obrigatoriamente pelo autoconhecimento e pela desconstrução da culpa. Ela enfatiza que “mãe perfeita não existe” e que o amor é o que salva as falhas da criação. O caminho para a cura envolve também estabelecer um propósito de vida que não dependa exclusivamente de terceiros: ’’o propósito de vida das mulheres não podem ser outras pessoas, porque elas têm a liberdade de irem embora. Então, essa questão de uma mulher se dedicar ao marido, aos filhos e acha que isso dá sentido à vida, quando eles forem embora, vai sobrar o quê?’’  

A psicóloga frisa que cuidar da família é apenas um dos tópicos da vida. É preciso cuidar de si numa dinâmica que envolva atividade física, amigos, bom sono, lazer etc. Ela ressalta que existem recursos acessíveis para a manutenção da saúde mental, como programas em praças e grupos no CRAS, para quem não pode arcar com custos financeiros.

Ao final, a mensagem é clara: admitir a necessidade de ajuda não é sinal de fraqueza, mas de consciência. A liberdade conquistada pelas mulheres na sociedade moderna traz a responsabilidade de viver bem e com sentido. Afinal, como resume a especialista, a casa não pode ser mais importante do que o corpo, que é de fato a nossa verdadeira morada.

Valéria Volker defende o fim da culpa e busca pela autorrealização

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