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O talento feminino que conquista o rádio

Única voz feminina em sua emissora há dez anos, Gisele Soza reflete sobre os desafios e as conquistas das mulheres na locução

Locutora vence desafios e consolida espaço das mulheres no mercado.

Dizem que o rádio é o veículo da imaginação. Enquanto a televisão entrega a imagem pronta, o rádio convida o ouvinte a criar cenários, rostos e sorrisos a partir de uma voz. No dia 13 de fevereiro, celebramos os profissionais que, diariamente, emprestam suas vozes para informar e emocionar. Entre esses nomes, destaca-se Gisele Soza, uma comunicadora de 32 anos idade, que há quase 16 anos prova que o rádio não é apenas sobre técnica, mas sobre sensibilidade.

O convite inesperado

Diferente de muitos que sonham com o microfone desde a infância, a entrada de Gisele no meio foi obra do destino. “Eu costumo brincar que eu não escolhi o rádio, o rádio é que me escolheu”, revela. Tudo começou com uma simples ligação para participar de uma promoção. O locutor do outro lado, impressionado com o timbre de Gisele, insistiu para que ela fizesse um teste.

A hesitação inicial deu lugar a uma carreira sólida, embora o começo tenha tido seus momentos de estranheza. “A primeira vez que ouvi minha voz no rádio foi muito estranho. Senti muita vergonha, porque nunca me imaginei fazendo isso”, confessa, entre risos.

O desafio de ser uma voz feminina

Apesar do talento evidente, o caminho não foi isento de obstáculos. Gisele aponta que o espaço para mulheres na locução ainda é restrito. Na emissora onde atua há uma década, ela é a única voz feminina.

” Inclusive, essa foi uma indagação que eu fiz logo no início da minha carreira: por que existem poucas mulheres na locução, poucas mulheres no rádio? Na época, alguns colegas me explicaram que isso vinha muito do próprio ouvinte, que não gostava de um excesso de vozes femininas na programação.  “, conta.

Além do gênero, sua própria personalidade foi testada. Gisele é dona de uma risada expressiva e marcante, o que gerou estranhamento e até reclamações no início. Hoje, o que era motivo de crítica tornou-se sua marca registrada, provando que a autenticidade é o melhor caminho para a fidelização do público.

Conexão além das redes sociais

Mesmo com o avanço tecnológico e a exposição visual das redes sociais, Gisele acredita que a essência do rádio permanece intacta: a capacidade de imaginar o outro. “O ouvinte cria essa conexão com o locutor através da imaginação. Ele escuta a nossa voz e passa a imaginar como a gente pode ser: se é loiro, moreno, alto, baixo. Enfim, ele cria uma imagem nossa na cabeça dele. E a gente acaba fazendo a mesma coisa’’, explica. Essa mística cria laços de reconhecimento, onde vozes e nomes de ouvintes via WhatsApp já são familiares antes mesmo do primeiro encontro físico.

Sobre a suposta “morte” do rádio diante de podcasts e streamings, a radialista é categórica: o rádio não precisa de reinvenção, mas de reconhecimento de sua agilidade. “O rádio consegue entregar música, notícia e o imprevisto em um curto espaço de tempo. O desafio hoje é disputar a atenção, que está muito mais difusa”.

A responsabilidade do microfone

Para Gisele, ser radialista vai muito além de falar bonito. É um compromisso social. Professora e mentora de comunicação, ela ensina que o tom de voz deve carregar a emoção da notícia. Mas, acima de tudo, é sobre o impacto humano.

“Ser radialista é entender que, através da sua voz, você pode mudar o dia ou até a vida de alguém. Já ouvi relatos de pessoas que estavam deprimidas e melhoraram após ouvir o programa”, diz ela.

Ao olhar para trás, para aquela jovem que entrou no estúdio pela primeira vez há 16 anos, Gisele daria um único conselho: “Aproveite ainda mais os encontros e as histórias, mas sempre com muita responsabilidade. Uma frase mal colocada pode ferir, mas o zelo e o amor podem transformar realidades”, pontua a radialista, que reconhece que até hoje, o rádio muda vidas.

Única voz feminina em sua emissora há dez anos, Gisele Soza reflete sobre os desafios e as conquistas das mulheres na locução

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