A BR-251, apelidada de “Rodovia da Morte”, voltou a ser palco de mais uma tragédia na noite dessa quarta-feira (21/1). Cinco pessoas morreram e outras 43 ficaram feridas em um acidente envolvendo um ônibus de turismo na altura do km 474, na zona rural de Francisco Sá, no Norte de Minas. Entre os mortos, está um bebê. Outras nove pessoas ficaram em estado grave e 34 sofreram ferimentos leves.
O motorista (38 anos) condutor do ônibus fugiu do local e, por isso, não fez o teste do bafômetro. O sinistro envolve a empresa Dinho Turismo, que operava de forma irregular. Segundo o Corpo de Bombeiros, o veículo fazia o trajeto entre Arapiraca (AL) e Itapema (SC) sem autorização formal para transporte de passageiros.
De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o ônibus seguia no sentido Montes Claros quando, em um trecho de declive e curva sob chuva leve, apresentou falha no sistema de frenagem, não conseguiu reduzir a velocidade e saiu da pista, tombando às margens da rodovia. Equipes do Corpo de Bombeiros fizeram o atendimento pré-hospitalar, priorizando as vítimas mais graves. Os feridos foram encaminhados para hospitais de Francisco Sá e Montes Claros.
Depois do socorro, a área foi isolada para perícia da Polícia Civil. Em seguida, o ônibus foi destombado, permitindo a retirada dos corpos presos nas ferragens. A ocorrência mobilizou Bombeiros, Samu, PRF e Polícia Civil, com emprego de três viaturas e nove militares. A rodovia ficou interditada por cerca de seis horas para atendimento, perícia e remoção do veículo. A PRF informou que investiga a regularidade da empresa junto à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A Dinho Turismo, cadastrada na Bahia, não possui registro na ANTT, e o ônibus está registrado em Alagoas.
VÍTIMAS – Em entrevista, a mulher, que está grávida de quatro meses, descreveu os momentos de tensão vividos na hora do acidente. “Foi horrível demais. Na hora só pensava no meu filho, todo mundo começou a gritar quando o ônibus começou a tombar. Todo mundo assustado. Só tenho que agradecer a Deus por estar aqui hoje”. Rafaela e o filho sofreram apenas escoriações leves. Eles seguiam de Alagoas para Santa Catarina. “Quando vi o ônibus tombando, eu gritei e segurei na minha mãe”, disse o menino Mateus Levi dos Santos.
Outro sobrevivente, o motorista Jerri Adriano, que também saiu de Alagoas no ônibus, relembrou o que presenciou no momento do acidente. “Na hora do acidente eu e um colega estávamos acordados, percebemos que o ônibus deu uma virada e depois voltou pro outro lado, nós seguramos na cadeira bem forte. Depois, foi pra frente e foi pro lado esquerdo, foi pro lado direito e tombou […]. Foi de repente assim, o ônibus virando, todo mundo gritando. Nasci de novo, nunca tinha passado por isso na vida”, contou.
NOTA DA ANTT – Em nota, A Agência Nacional de Transportes Terrestres informou que o ônibus não tinha autorização para a realização de transporte rodoviário interestadual de passageiros. “Tanto o veículo, quanto a empresa responsável, não estão regulares junto à ANTT para a prestação desse tipo de serviço, o que caracteriza a operação como transporte clandestino”, diz um trecho da nota.
Ainda segundo a ANTT, o veículo foi autuado aproximadamente 30 vezes entre os anos de 2025 e 2026, sendo que 25 autuações foram por evasão de postos de pesagem e cinco estão relacionadas ao transporte rodoviário, incluindo irregularidades em equipamentos obrigatórios e a realização de transporte sem a devida autorização.
O veículo também foi apreendido em outubro de 2025, em decorrência das irregularidades constatadas à época. Em contato com a empresa, uma pessoa que preferiu não se identificar, informou que estava em contato com os advogados e falaria depois sobre a tragédia.