A jornalista e escritora destaca o protagonismo feminino ao assumir a presidência da academia
A Academia Montes-clarense de Letras celebra seus 60 anos com a cerimônia de posse da nova diretoria para o biênio 2026–2027, que terá à frente a presidente Mara Narciso, escritora, jornalista e médica. O evento acontece nesta quinta-feira (22), às 20h, no Centro Cultural Hermes de Paula, reunindo acadêmicos, autoridades e convidados para marcar este momento simbólico da instituição.
Segundo ela, assumir a presidência é um processo de aprendizado constante. “A gente está aprendendo fazendo, porque eu nunca mexi com isso. Então vou aprender fazendo.
A expectativa é muito grande, principalmente nesse momento em que o mundo vive tanta instabilidade, com sustos e precipitações. Mesmo assim, vamos fazer o nosso trabalho, que é atuar com cultura, literatura, tradução literária e educação de línguas”, destacou.
Ao avaliar a participação das mulheres na cena literária de Montes Claros, ela demonstrou otimismo. “Vejo com muito otimismo. Depois da primeira presidente mulher, dona Yvonne Silveira, começou a haver um equilíbrio maior entre homens e mulheres. Antes de mim, tivemos Yvonne Silveira, Maria Luiza Silveira Teles, Ivana Ferrante Rebello e Almeida e Glorinha Mameluque. Agora eu assumo como mais uma mulher na presidência”, destacou.
Ela também comentou sobre o ambiente interno da Academia. “Temos pessoas muito inspiradas, palestrantes brilhantes. A Academia é um celeiro de convivência, cooperação e leveza. Desenvolvemos atividades como oficinas de leitura, que fortalecem ainda mais esse espaço”, disse.
Sobre a produção literária feminina, Mara destacou a diversidade temática. “A literatura feita por mulheres não é frágil nem limitada. Ela fala de qualquer tema. Não existe assunto proibido. Se eu quiser escrever sobre qualquer coisa, eu escrevo. Posso até não saber muito, mas vou pesquisar. Hoje todo mundo tem acesso à informação”, pontuou.
Questionada sobre a existência de barreiras para o reconhecimento das mulheres na literatura, a presidente foi enfática. “Existe, sim. A escrita da mulher ainda é vista como algo menor, com menos importância. Mas as mulheres têm mostrado muita garra e
eficiência. A gente precisa de equilíbrio, controle e habilidade, e isso as mulheres têm demonstrado com muita força”, ressaltou.
Mara também destacou o papel da Academia no fortalecimento da presença feminina no meio literário. “Isso já acontece, mas podemos avançar mais. Estamos construindo projetos para ampliar essa participação, porque a abrangência ainda pode crescer muito”, explicou.
Ao falar sobre a preservação da memória cultural por meio da literatura, a presidente enfatizou a contribuição das mulheres. “As mulheres são grandes guardiãs da memória: da tradição, da história, da alimentação, dos costumes. Quem vive, quem escuta, quem sabe contar histórias, geralmente são elas. Quando uma mulher começa a contar suas memórias, não para mais. Isso é riquíssimo”, afirmou.
Ela também destacou a importância das obras biográficas. “Muita gente está escrevendo biografias. Isso é fundamental para preservar a história e a identidade da nossa cidade”, disse.
Para encerrar, Mara Narciso lembrou a trajetória da instituição. “A Academia Montes- clarense de Letras foi fundada em 13 de setembro de 1966. É uma data histórica.
Precisamos enaltecer os 13 fundadores e o primeiro presidente, Antônio Augusto Veloso. E essa memória precisa ser valorizada”, concluiu.
