O tradicional Painel Permanente de Poesia Juca Silva Neto, no Centro Cultural Hermes de Paula, torna-se o palco de uma imersão literária na segunda quinzena de janeiro. A convite do curador Aroldo Pereira, a poeta Catiane D’Áura Barbosa apresenta uma seleção de sua obra em um formato inédito para sua carreira: a exposição visual. O lançamento oficial aconteceu nessa sexta-feira (16), às 17h, com um sarau aberto ao público.
Para a escritora, autora dos livros “Saudadice” e “Elas sou Eu”, a mostra é um retorno às raízes. “A exposição traz memórias afetivas e reforça meus laços poéticos com Montes Claros, cidade que deu voz à minha poesia”, revela. O momento é ainda mais emblemático por coincidir com as celebrações dos 40 anos do Salão Nacional de Poesia Psiu Poético, movimento do qual a artista é participante ativa.
FORA DO PAPEL
Pela primeira vez, a poeta experimenta a sensação de ver seus versos ganharem as paredes de uma galeria. Em entrevista, ela descreveu a experiência como um “misto de emoções positivas”. Segundo a artista, transpor o texto do ambiente íntimo do livro para o painel expositivo foi um processo realizador.
A curadoria para a Mostra foi pensada para gerar conexão imediata. “O primeiro critério para a seleção foi a popularidade. Pensei em poemas que tocassem a maior quantidade de pessoas possível”, explica. A exposição também funciona como uma linha do tempo, apresentando desde escritos da adolescência até fases mais recentes, permitindo que o visitante acompanhe a evolução de sua escrita.
A disposição dos poemas no Painel Juca Silva Neto não segue uma ordem rígida, uma escolha deliberada para respeitar a natureza da arte. “Sempre penso a poesia como algo livre e espero que a disposição física possibilite aos leitores escolher qual ‘caminho’ trilhar pelos versos”, destaca a poeta.
Para ela, ocupar espaços públicos com literatura é um privilégio e uma necessidade social. “É extremamente importante levar a arte a quem anseia por ela. Ter um lugar para ser ocupado por versos é maravilhoso”, pontua.
Ao transformar o Centro Cultural em um refúgio lírico, a exposição não apenas celebra o passado da autora – que viu a poesia florescer ainda na infância – mas também convida Montes Claros a se redescobrir através das palavras. Em um período em que a cidade respira os 40 anos de história do Psiu Poético, a mostra reafirma que a poesia montes-clarense segue viva e, acima de tudo, acessível a todos que cruzarem os corredores da Biblioteca Municipal.
A oportunidade de trilhar esses “caminhos de versos” segue aberta até o fim do mês, reafirmando o papel do Painel Juca Silva Neto como um dos marcos mais democráticos da literatura mineira contemporânea.