A Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) enfrenta uma grave crise institucional que coloca em xeque a valorização de seu corpo docente. Segundo dados apresentados pela Associação dos Docentes da Unimontes (Adunimontes), existe hoje um abismo entre a qualificação acadêmica dos professores e o que é efetivamente depositado em suas contas.
A denúncia aponta que doutores da instituição estão sendo remunerados com salários de mestres, enquanto mestres recebem como se fossem apenas especialistas.
O presidente da Adunimontes, Wesley Helker Felício da Silva, destaca que essa distorção salarial ocorre no momento em que a categoria acumula uma defasagem de mais de 82%.
De acordo com o representante sindical, a universidade vive um processo de “precarização total”, evidenciado pelo fato de que não são realizados concursos públicos para o quadro efetivo há mais de dez anos. Wesley revela que até mesmo os processos seletivos mais recentes para professores contratados aplicaram cortes severos, subtraindo cerca de 30% da remuneração devida ao ignorar o nível máximo de formação dos profissionais.
O sindicato aponta uma contradição ética na gestão da universidade: a Unimontes utiliza os currículos e a produção científica desses mesmos professores para garantir selos de excelência e boas notas junto às avaliações do Ministério da Educação (MEC), mas nega o reconhecimento financeiro dessa titulação no momento do pagamento. Para Wesley, essa prática assemelha-se ao modelo de faculdades privadas e reflete um projeto político do governo estadual que visa sub-remunerar a categoria enquanto exige o aumento da carga horária de trabalho.
O impacto dessa política de austeridade vai além do prejuízo financeiro individual. A Adunimontes alerta para um fenômeno de “fuga de cérebros”, no qual pesquisadores altamente qualificados, formados ao longo de anos com investimento público, deixam o Norte de Minas para buscar universidades que ofereçam melhores condições de trabalho e reconhecimento.
Além da estagnação salarial, o cenário inclui a ausência de pagamento da Dedicação Exclusiva (DE) há uma década. O resultado, segundo a associação, é um desastre para a qualidade do ensino, da pesquisa e da extensão, ameaçando o papel da Unimontes como motor do desenvolvimento regional.
