O deputado Gil Pereira, do PSD, participou no último dia 14, na Unimontes, em Montes Claros, do quinto Seminário Técnico Crise Climática em Minas Gerais: Desafios na Convivência com a Seca e a Chuva Extrema, realizado pela Assembleia Legislativa para buscar soluções capazes de minimizar os impactos das mudanças climáticas.
A etapa regional reuniu pesquisadores, especialistas, representantes da sociedade civil e do setor produtivo, outros parlamentares e lideranças, com objetivo de analisar desafios e diretrizes para políticas públicas de prevenção e convivência com eventos climáticos extremos e seus efeitos.
Iniciativa pioneira, foi o espaço para debater a seca no Norte de Minas e nos vales do Jequitinhonha e Mucuri, a desertificação, as tecnologias de acesso à água, as inundações nas grandes cidades, a energia limpa, a adaptação da economia, principalmente a agrícola, e a proteção à população e ao meio ambiente.
O seminário segue ainda para a sétima e última reunião regional, em Unaí (Noroeste), nesta sexta-feira (21/06/24), antes da etapa final, em agosto, em Belo Horizonte. “Relatório estadual será concluído para início de ações no segundo semestre e agenda direcionada à Conferência Climática da ONU – COP 30, em Belém (PA), em 2025”, destacou Gil Pereira, que preside a Comissão de Minas e Energia, da ALMG.
POLO DE ENERGIA SOLAR – Gil Pereira ressaltou que, apesar das dificuldades, o Norte de Minas tem contribuído para a transição energética no Estado, respondendo por mais de 90% dos investimentos em energia limpa, especialmente a solar fotovoltaica, essencial à preservação do meio ambiente e fator significativo de economia para o consumidor e o setor produtivo.
“Nos últimos 12 anos, tenho trabalhado incansavelmente para o desenvolvimento da energia solar, limpa e renovável. Por isso, nosso Estado gera atualmente 20% de toda a energia solar do Brasil, com destaque para o Norte de Minas. Resultado da minha luta e das inovadoras leis que aprovamos no Parlamento, Minas Gerais é líder nacional do setor”, declarou Gil Pereira.
PANORAMA CLIMATOLÓGICO – Em apresentação sobre o panorama climatológico da região, o professor Mário Marcos do Espírito Santo, do Departamento de Biologia Geral da Unimontes, advertiu que nos últimos 40 anos o nível dos rios diminuiu 20% por década na região. Houve no período queda de 7% no volume de chuvas e aumento de 18% na seca hidrológica (1979-2016).
A área do clima semiárido do Brasil aumentou, conforme revisão territorial feita neste ano de 2024. A nova extensão mostra que a mesorregião do Norte de Minas, conforme classificação do IBGE, está inteira incluída na área do semiárido, que duplicou em cinco anos. Além disso, muitos municípios já passaram a integrar o clima árido, como é o caso de cidades como Gameleiras, Espinosa e Mamonas. Os dados integram estudo de professores da USP e do Instituto Federal de Januária, a partir de informações do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) sobre estações climáticas na região.
ELEVAÇÃO DA TEMPERATURA – Outro estudo citado pelo professor Mário Marcos, feito no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, em Januária, mostrou aumento sem precedentes na temperatura dos últimos 70 anos. A pesquisa analisou a Caverna da Onça, preservada sem impactos da presença humana, tendo sido nela verificada estabilidade na temperatura até 1950. Porém, desde então, a temperatura na caverna sofreu aumento de 3 graus, confirmando que há tendência de alta, com reflexos maiores quando se considera áreas já ocupadas pelo homem.
“Apesar das variações anuais, a partir de 1950 a temperatura vem aumentando, sendo preciso considerar também o efeito humano na questão. Não há mais tempo para o negacionismo climático, e, no Norte de Minas, isso fica muito claro”, frisou o pesquisador.